Os clientes se casaram sob um cajueiro, no interior do Ceará. Ele é poeta, e o Nordeste é matéria do seu ofício. É dali que o apartamento parte, não pela representação literal da paisagem, mas por sua matéria. A paleta nasce das folhas e do chão do cajueiro, entre verdes, ocres e terracotas, traduzidos em superfícies e luz. Uma leitura contemporânea do Ceará, distante do folclore e próxima de sua essência.
Em cerca de 300 m², a área social funciona como percurso contínuo entre living, jantar e varanda, unificados pelo forro de madeira ripada e pela luz rebatida. Um painel de peças em barro estabelece o plano central, enquanto mobiliário modernista brasileiro, peças garimpadas no Nordeste e obras de artistas e mestres artesãos da região constroem a identidade. O acervo participa da arquitetura.
Na área íntima, o desenho se recolhe. A madeira fecha os planos, os tons se aprofundam e a amplitude dá lugar ao abrigo. O projeto aproxima memória e futuro por meio da matéria, da arte e da luz, traduzindo a identidade dos moradores sem recorrer a representações literais do lugar.