O Museu da Borracha, em Guaramiranga, transforma a história da borracha em uma experiência espacial integrada à paisagem do Maciço de Baturité. Organizado como um percurso expositivo em meio à vegetação, o projeto articula arquitetura, topografia e narrativa curatorial para conduzir o visitante da dimensão global do látex aos seus impactos sociais.
A implantação aproveita platôs existentes para minimizar movimentações de terra e preservar as amplas visuais para os vales, distribuindo os blocos de forma que um não interfira na vista do outro. Os caminhos sinuosos acompanham o relevo acidentado, ampliam o contato com a natureza e integram paisagem e exposição, fazendo do percurso parte essencial da experiência museográfica. Assim, a visita se desenvolve por uma alternância entre espaços internos, áreas abertas, enquadramentos da floresta e vistas do território.
O aço corten, predominante nas fachadas, é trabalhado em diferentes dimensões e usinagens para reinterpretar a densidade da floresta e a presença das maniçobas, reforçando a relação entre materialidade e narrativa. Dessa forma, o museu se consolida como uma estrutura de mediação entre curadoria, paisagem e memória.